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Lecar devolve dinheiro de clientes e muda de estratégia no mercado de carros eletrificados

22 de jul.
4 min de leitura

Montadora brasileira enfrenta desistências em massa nas reservas do Lecar 459 e passa a apostar também em um compacto elétrico desenvolvido em parceria com uma fabricante chinesa

O mercado brasileiro de carros eletrificados vive um momento de forte expansão, mas nem todas as histórias são de crescimento.

No início de julho de 2026, a Lecar voltou aos holofotes depois de confirmar que devolveu os valores aos clientes que solicitaram o cancelamento das reservas de seus veículos.

Segundo o fundador da empresa, Flávio Figueiredo Assis, aproximadamente 90% dos clientes que haviam aderido à compra programada pediram o cancelamento após a repercussão de questionamentos envolvendo o projeto da montadora. A empresa afirma que os pedidos de reembolso foram atendidos.

A situação coloca a Lecar diante de uma mudança importante de estratégia justamente no momento em que o mercado brasileiro de veículos eletrificados está crescendo e atraindo cada vez mais fabricantes.


O que aconteceu com o Lecar 459?

O Lecar 459 foi apresentado como o primeiro veículo da marca brasileira.

O modelo foi anunciado como um híbrido flex com sistema de extensão de autonomia, combinando um motor a combustão utilizado como gerador com um sistema de propulsão elétrico.

A proposta chamou atenção justamente por tentar unir uma tecnologia eletrificada com o uso de combustível disponível no Brasil.

No entanto, o projeto passou por mudanças e questionamentos ao longo do desenvolvimento.

Com a repercussão do caso, a maior parte dos clientes que haviam feito reservas decidiu cancelar a compra programada.

A Lecar então iniciou a devolução dos valores.

O próprio site da empresa informa que as condições de lançamento foram encerradas em 30 de junho de 2026, enquanto novas condições seriam anunciadas posteriormente.


E a parceria com uma fabricante chinesa?

A história fica ainda mais interessante quando entra em cena uma fabricante chinesa.

Antes de mudar de estratégia, a Lecar negociou com a Dongfeng uma possível parceria para trazer ao Brasil um compacto elétrico.

A ideia era utilizar um modelo da fabricante chinesa e comercializá-lo com a marca Lecar, em uma operação conhecida como white label.

O veículo em questão seria o Dongfeng Box, também conhecido como Nammi 01 em outros mercados, que poderia ser vendido no Brasil com a marca Lecar e o nome Lecar Pop.

As negociações, entretanto, não avançaram.

Segundo informações divulgadas na época, a Dongfeng decidiu entrar no mercado brasileiro de maneira independente, seguindo uma estratégia semelhante à de outras fabricantes chinesas que passaram a operar diretamente no país.


A Lecar desistiu de fabricar carros?

Não é exatamente isso que a empresa afirma.

Apesar dos problemas envolvendo as reservas e da negociação que não avançou com a Dongfeng, a Lecar afirma que seus projetos próprios continuam em desenvolvimento.

Em entrevista à CNN Brasil, o fundador também confirmou que a empresa prepara um novo compacto elétrico em parceria com uma fabricante chinesa.

Ou seja, a estratégia mudou.

Em vez de depender exclusivamente do desenvolvimento de um veículo próprio desde o início, a empresa também busca alternativas para colocar um modelo eletrificado no mercado brasileiro.

É uma mudança significativa de caminho.


Por que esse caso é importante para o mercado brasileiro?

A história da Lecar mostra uma parte do mercado de carros eletrificados que muitas vezes fica escondida atrás dos números de vendas.

Construir um automóvel não significa apenas desenvolver um motor, uma bateria ou um desenho.

É preciso criar uma cadeia inteira envolvendo fornecedores, produção, homologação, logística, assistência, peças, financiamento, distribuição e confiança do consumidor.

E essa última parte é especialmente importante.

Quando alguém reserva um veículo que ainda será produzido, está apostando na capacidade da empresa de transformar um projeto apresentado em um produto que realmente chegará às ruas.

No caso da Lecar, a desistência de aproximadamente 90% dos clientes que haviam aderido à compra programada mostra como essa confiança pode ser decisiva para uma empresa que ainda está tentando consolidar sua operação.


Enquanto isso, as fabricantes chinesas avançam

O momento vivido pela Lecar acontece justamente quando as fabricantes chinesas aumentam sua presença no Brasil.

BYD, GWM, Geely e outras marcas passaram a disputar espaço em diferentes segmentos do mercado, trazendo veículos elétricos e híbridos com tecnologias já utilizadas em outros mercados.

Para uma empresa brasileira que pretende desenvolver um carro próprio, isso aumenta a competição.

Não basta apresentar uma proposta inovadora.

É necessário conseguir entregar um veículo competitivo em preço, tecnologia, autonomia, qualidade, assistência e disponibilidade de peças.

É uma disputa que vai muito além do carro apresentado no salão ou nas imagens de divulgação.


O que vem pela frente?

A Lecar ainda pretende colocar seus projetos em produção.

No site oficial da empresa, o Lecar 459 continua apresentado como um híbrido flex com extensor de autonomia, com produção indicada para agosto de 2027.

Mas a estratégia agora parece mais ampla.

Enquanto mantém seus projetos próprios, a empresa também busca alternativas através de parcerias para entrar mais rapidamente no mercado de veículos eletrificados.

O caso mostra que o caminho para criar uma nova fabricante de automóveis no Brasil é muito mais complexo do que simplesmente desenvolver um veículo.

E talvez essa seja a principal lição dessa história.


O mercado de carros elétricos e híbridos está crescendo, mas crescer junto com ele exige muito mais do que ter um bom projeto: é preciso transformar a promessa em um carro que realmente chegue às ruas.

 
 
 

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